2009
Toda vez que vou ao aeroporto de Guarulhos, lembro da última vez que ele me abraçou ali. E me deixou ficar três meses longe dele. E mandou muitos e-mails com “tá frio aí?”, “tá tudo bem?”, tirou sarro dizendo que eu sentiria saudade da comida, e tudo mais.
E vários lugares me trazem lembranças da infância, do quanto ele cuidou de mim, foi meu amigo, me deu broncas, foi rabugento. E o dia mais feliz da minha vida, depois que ele foi embora, foi o dia em que eu sonhei com ele. E ganhei um abraço bem apertado.
agosto, 2010.
É claro que a sensação é que eu deveria ter aproveitado mais a presença dele comigo, mas lembro de quando saí correndo pra dar um abraço de aniversário nele lá no litoral. Que pedi pro taxista seguir o Expresso Brasileiro que eu tinha perdido, e fomos até São Bernardo assim. Que eu o abracei naquela noite de sexta-feira, e mal sabia que seria a última.
E que hoje eu só faço o que sei que ele faria se eu tivesse ido no lugar dele. Tento ser forte, tento fazer com que tudo esteja bem, sob controle. E as piadas que conto são só o típico sarcasmo superficial de quem tem o coração mais puro por dentro, mas bem peludinho por fora. E que por trás de muita bravura existe um coração cheio de saudade.
Pai, como você faz falta.