Autor: Lidi Faria

  • Debate político: os desafios da transmissão na TV e nas redes sociais

    Debate político: os desafios da transmissão na TV e nas redes sociais

    Atualizado: 7 de abr. de 2023

    Crédito: Sergio Barzaghi | Gazeta Press

    Organizar um debate político não é simplesmente ligar a câmera e deixar o circo pegar fogo.

    Existe um planejamento imenso, com diversas reuniões para que cada passo seja acordado previamente. Toda mecânica precisa ser esclarecida, aceita e assinada pelas partes envolvidas: parceiros de tecnologia, partidos e emissora. Por fim, este documento é protocolado no Tribunal Regional Eleitoral para que a lei seja cumprida.

    O resumo acima faz parte de um grande aprendizado que tive em 2016, como parte do time da Fundação Cásper Líbero/TV Gazeta, com equipes de jornalismo e tecnologia trabalhando juntas. Naquele ano, tivemos a oportunidade de trazer o protagonismo das conversas e perguntas em real time, além de transmitir tudo pelo Periscope e ampliar o alcance da TV Gazeta com parceiros estratégicos como Estadão e Twitter.

    E toda essa equipe, muito corajosa, comprou a ideia desde o início e fez acontecer mesmo com todas as limitações e desafios ao longo do caminho. Lembrar deste projeto me traz um orgulho imenso!

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    O processo

    Depois de inúmeros ensaios e testes, chega o momento – e o ao vivo não é para amadores. A conexão entre o palco, apresentadores e o switcher (sala de controle) precisa ser cirúrgica. Roteiro na mão, começa o evento, tudo tem que ser perfeito!

    Crédito: Sergio Barzaghi | Gazeta Press

    A partir dos temas pré-acordados, a equipe de monitoramento por sua vez selecionava as perguntas para enviar aos times responsáveis pela exibição. É um cuidado imenso para que tudo seja neutro e não haja nenhuma vantagem para qualquer lado. É a exigência de um profissionalismo que só os melhores podiam executar – e sim, com muito orgulho e nenhuma modéstia afirmo: nós estávamos com os melhores.

    Os resultados

    Além da transmissão, os telespectadores enviaram perguntas em formato de texto e vídeo, exibidas no palco em um painel do Moments para serem respondidas ao longo do evento.

    Foram contabilizados, entre 15h30 do dia 18 até meia-noite do dia 20, 26 mil tweets sobre o debate e 120 mil pessoas conectadas na transmissão pelo Periscope.

    Se você acha que é pouco, lembre-se dos contextos de audiência dos envolvidos, do resultado orgânico e do marco temporal em si.

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    E, por fim, além da repercussão na imprensa, não dá pra esquecer da força da democratização da informação e do impacto no target mais jovem, consumidor de conteúdo na plataforma.

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    Agradeço imensamente aos parceiros de jornalismo do Estadão, do Twitter e da TV Gazeta, diretoria e time tecnologia, comunicação e assessoria de imprensa da emissora e dos próprios partidos, que desde a época já entendiam a força do Digital para suas campanhas e para a Comunicação com seus stakeholders.

    Referências

    AGÊNCIA ESTADO. Debate abre espaço para perguntas do público enviadas pelo Twitter. UOL, 18 set. 2016. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/09/18/debate-abre-espaco-para-perguntas-do-publico-enviadas-pelo-twitter.htm. Acesso em: 29 nov. 2020.

    ESTADÃO. Os bastidores do debate da TV Gazeta, Estadão e Twitter. TV Estadão, 19 set. 2016. Disponível em: https://tv.estadao.com.br/politica,os-bastidores-do-debate-da-tv-gazeta-estadao-e-twitter,634796. Acesso em: 29 nov. 2020.

    FOLHA. Eleições 2016: debate na TV Gazeta [fotografia]. Folha de S. Paulo, 18 set. 2016. Disponível em: https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/46621-eleicoes-2016-debate-na-tv-gazeta. Acesso em: 29 nov. 2020.

    GRANDES NOMES DA PROPAGANDA. TV Gazeta, Estadão e Twitter firmam parceria para promover debate eleitoral. Disponível em: https://grandesnomesdapropaganda.com.br/veiculos/tv-gazeta-estadao-e-twitter-firmam-parceria-para-promover-debate-eleitoral/. Acesso em: 29 nov. 2020.

    JORNAL DA GAZETA. Tudo certo para debate TV Gazeta-Estadão-Twitter. YouTube, 15 ago. 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=pda_WCzAcag. Acesso em: 29 nov. 2020.

    TV Gazeta Oficial. Página oficial da TV Gazeta. Facebook. Disponível em: https://www.facebook.com/tvgazetaoficial/photos/a.600464593303997/1460725167277931. Acesso em: 29 nov. 2020.

  • Consumidor: um agente de mudança

    Consumidor: um agente de mudança

    Entregador por aplicativo com bag e bicicleta
    Crédito: Norma Mortenson | Pexels

    Nesta semana, a Plataforma Gente liberou o episódio 9 do podcast Tirando o Crachá¹, sobre Consumo em Tempos Pandêmicos. Em breve participação, compartilhei uma visão pessoal sobre como atuamos, como consumidores, em tempos incertos.

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    Lembro perfeitamente a primeira vez que utilizei um dos aplicativos de entrega que prometem mais do que refeições. Em 2016, precisava buscar uma receita médica mas não podia sair naquele momento. Aproveitei um código de desconto da amiga e, voilá, encantada; wow, se tenho a possibilidade de contratar um serviço para que realizem atividades burocráticas, posso aproveitar meu tempo para concretizar alguns planos encostados, não é mesmo? E como bônus, me sinto muito mais produtiva – do jeitinho que o capitalismo gosta.

    E assim foi: passei a acreditar que era uma perda de tempo ir ao supermercado, já que agora podia fazer uma lista entre uma atividade e outra para receber tudo magicamente em casa. E o cashback? Ah, que incrível! E assim, aconteceu: virei piada entre os amigos, que perguntavam com frequência: o que a Lidi ainda não pediu neste app? Bom, enviei presentes enquanto estava 500 km distante do endereço de entrega, comprei celular e até TV (onde este último item não teve a entrega honrada pelo app, mas já é outra história). Importante saber é que sim, eles também têm entregas com carros para compras e itens maiores. Incrível, claro!

    O fato é que infelizmente poucas vezes parei para conversar com os entregadores (como fazia com os motoristas de aplicativo enquanto passageira), e na correria do dia a dia foquei apenas na facilidade para a minha vida e ponto final.

    E como é a vida de todos os envolvidos nos processos de fabricação e entrega dos produtos que escolhemos?

    Nossa “facilidade” alimenta uma economia justa?

    Líder dos Entregadores Antifascistas, Paulo Lima – conhecido também como Galo, concedeu uma entrevista ao Digilabour², newsletter sobre mundo do trabalho e tecnologia, e compartilhou as dificuldades e a pauta da última greve, que não foi liderada pelo grupo. Se você estiver com um tempinho pra entender o porquê devemos pensar melhor na cadeia que ajudamos a construir, vale a leitura.

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    Aplicativos de entrega têm diversas frentes de monetização. Além da taxa para o delivery em si, existem parcerias comerciais com empresas que anunciam no app, entre outros meios, sem contar no banco de dados riquíssimo sobre o perfil dos clientes. Sim, baseado na quantidade dos meus pedidos, eles sabem que provavelmente a manteiga está acabando por aqui.

    É nosso papel também, como consumidores, cobrar não só melhorias de usabilidade, mas também que exista uma rede justa, economicamente correta e socialmente responsável.


    Dá trabalho pesquisar, pensar e conhecer, então a facilidade também passa a ser mais um ponto de decisão que requer tempo. Para quem tem a oportunidade de ter o mesmo acesso, mas de formas A, B e C, qual seria o melhor caminho? Como podemos contribuir para uma distribuição mais justa? Que este turbilhão de novidades também provoque uma reflexão sobre o mundo que queremos e que realmente construímos.

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    ¹ Tirando o Crachá é um projeto de Siloe, Jimmy e Chaves. Obrigada pelo convite! 😉

    ² Matéria de Rafael Grohmann e Paula Alves.